sexta-feira, 28 de julho de 2017

Chopin: Nocturne Op. No. 2 (Arthur Robinstein)

Em férias, a vida familiar, no meu caso, torna-se mais intensa e absorvente. O tempo de leitura e de escrita fica muito limitado. Mas, em fim de noite, sempre há tempo para ouvir música. Hoje, fui ao encontro do inesquecível Arthur Rubinstein e, pela sua mão, cheguei a Chopin. Aqui fica 'Nocturne Op. No. 2. Bom fim-de-semana.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Clube de contadores de mortos

O 'miserável aproveitamento político' foi o epíteto certo do ex-PGR, Dr. Pinto Monteiro, para qualificar o ignóbil uso político-partidário da 'Tragédia de Pedrogão' que ceifou a vida a 64, 65, 66 ou mais vítimas.
Beirão e conhecedor profundo do interior do País - é natural de uma aldeia próxima do Sabugal - o ex-PGR revelou igualmente não entender a razão por que a lista dos mortos não era divulgada pelo Ministério Público,  agora sob as ordens da sua sucessora,  Dr.ª Joana Marques Vidal.
Coincidência ou não, horas depois, a PGR divulgou esta 'nota para a comunicação social', com a lista de 64 mortos por causas directas do incêndio: inalação e/ou queimaduras fatais.      
A campanha dos media, especulando através de números mais elevados de mortes por efeito das causas citadas, tem sido igualmente deplorável. Em especial, as torpes notícias, entrevistas e insinuações dos jornais 'Expresso', 'Público' e 'Jornal i' e dos canais SIC e TVI - com a choldra do CM e da CMTV nem sequer conto.
O título sensacionalista do 'Expresso' de Sábado, 'Lista dos 64 mortos exclui vítimas de Pedrogão', é obra do grupo dos 'jornalistas de facção' que povoam a redacção daquele semanário, sob a direcção de Pedro Santos Guerreiro, figura que critiquei neste 'post' de Outubro de 2015. O homem nunca mais se ergueu do tropeção que, então, registei. No título antes citado, escreveu-se 'exclui vítimas' (vítimas no plural), mas depois concluíram que haveria a adicionar somente a morte por atropelamento da Dona Alzira Carvalho Costa, a quem a PGR, na 'nota para a comunicação social', se refere nos seguintes termos:
"A morte de Alzira Carvalho Costa está a ser investigada no âmbito de outro inquérito, iniciado logo que noticiado o acidente ocorrido."
Por sua vez, a SIC-N noticiou que o número de mortes poderia ser 66, invocando a possibilidade de vir a considerar-se a morte de um homem (José Rosa Tomás, também referido na 'nota' da PGR) em unidade hospitalar em que estava internado. Mas a locutora da SIC-N adiantou que não estava em posição de confirmar se a causa da morte teria sido o incêndio, um mês antes. Justificou que os médicos fundamentaram o falecimento com pneumonia grave, desconhecendo a SIC-N se esta teria sido efeito do fogo. Acima de tudo, e no desespero de contar mais mortes em Pedrogão, a SIC-N omite - e é mais grave se o faz propositadamente - a existência de uma lista de mais 200 vítimas com lesões, algumas delas internadas em estado grave. E a morte de qualquer destas vítimas terá, naturalmente, de ser acrescida ao número de vítimas mortais. 
Por fim, vem o 'Jornal i' que, em destaque de primeira página, começou por contabilizar 73 vítimas mortais, por informação de uma tal empresária de Lisboa que se deslocara a Pedrogão. A SIC-N e a TVI deram relevo ao que mulherzinha disse. Na estação de Queluz (TVI), a funesta Judite Sousa entrevistou em 'prime-time' a mulherzinha, Isabel de sua graça. A certa altura, a intrujona dizia que, segundo os últimos dados que recolhera, já contava 96 mortos. De seguida, afirmou peremptoriamente: "Alguém em Pedrogão me disse que o número de mortos poderá atingir três dígitos, provavelmente 108." . O conteúdo da nota da PGR também é elucidativa quanto a esta criatura.
A democracia, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa são valores essenciais para o progresso social e cultural de qualquer povo. Todavia, nesses valores, não cabem estratégias macabras de políticos e jornalistas que se servem de uma tragédia para atingir objectivos políticos. Nos últimos dias, formaram o 'clube de contadores de mortos'. Haja decoro!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Silly? Hot Season!

Chegado o Verão, temos as férias de famílias, os serviços mínimos de políticos e da comunicação social. Ou seja, desfrutamos da tranquilidade da 'Silly Season', perturbada, e não pouco, pelos grandes incêndios.
Este ano, porém, 'Hot' está a derrubar 'Silly' e sente-se já, de facto, um ' Verão Quente'. 
No domínio dos incêndios, registou-se a maior tragédia de sempre, a de Pedrogão Grande e de dois concelhos vizinhos, Figueiró dos Vinhos e Góis. 64 mortos, meia centena de habitações e pequenas propriedades rurais destruídas, e ainda unidades produtivas completamente arrasadas. Tornou-se numa catástrofe histórica. Não vamos lembrá-la somente quando circularmos nas áreas afectadas e observarmos o rastro de negritude que o fogo plasmou na paisagem. 
Para sofrimento das populações desse interior despovoado, desprezado, de tristes silêncios que as sirenes dos bombeiros rasgam, outros fogos florestais vastos eclodiram, por mãos criminosas ou diferentes origens, em outras áreas do País: Alijó, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa, Mangualde, Gouveia, Sabugal... - no momento em que escrevo, o 'site' da Protecção Civil cita, no total, 171 fogos, combatidos por 2389 operacionais, 777 viaturas e 8 meios aéreos... enfim, a desgraça continua. 
Desta vez e não motivados apenas pela 'Tragédia de Pedrogão' mas pelos recorrentes dramas dos incêndios em território nacional, será que o Governo e partidos da oposição se unem na acção de estabelecer e fazer executar regras para a reestruturação e limpeza de matos e florestas e a prevenção efectiva, e activa todo ano, contra incêndios? É uma pergunta longa, mas, mais importante do que isto, é formulada sem esperança. Sim sem esperança, porque a coisa já começou mal: PCP desafia BE a tirar terrenos sem donos do banco de terras {'Público']. Tiro de 'Hot' em 'Silly'.
A Protecção Civil traçou novas regras de comunicação sobre incêndios. PSD e o loquaz Jaime Mata Soares classificaram a medida de "lei da rolha". Outro tiro em 'Silly'.
O desventurado André Ventura, candidato à Câmara de Loures pelo PSD e PPM, lança-se em ataque xenófobo à comunidade cigana. Se ele procurasse saber o número de famílias que, em Portugal, recebe o 'rendimento mínimo garantido', talvez concluísse que a grande maioria não é cigana. O populismo sustenta-se também da ignorância. Terceiro tiro em 'Silly'. 
Acrescente-se que, em Outubro próximo, haverá eleições autárquicas e mais tiros é coisa que não faltará.
Por fim, cito que tivemos e temos Tancos, e deste lado pode surgir a artilharia pesada, quando os resultados das investigações forem - se forem - divulgados. 
Estou, pois, preparado para uma 'Hot Season'. Note-se que, a tudo o que se sabe, seguem-se os imprevistos e muito destes são sempre mais surpreendentes do que os casos antecedentes. Por exemplo, hoje soube-se que o truculento Hugo Soares foi eleito líder parlamentar 'laranja' ['Público']. Um tiro no pé do PSD. 

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A minha estupefacção

Tenho apreço pelo Dr. Seixas da Costa. Sou leitor do seu blogue, 'duas ou três coisas'. Normalmente, concordo com os conteúdos publicados.
Todavia, há sempre excepções, no que respeita a regras e opiniões. E, por via da excepção, não poderia estar mais em desacordo com o conteúdo do  'post', publicado em 14-Julho, sob o título 'Perplexidade'.
Convirá sublinhar que as nossas carreiras profissionais tiveram percursos muito distintos. O Dr. Seixas da Costa foi Embaixador, moveu-se naturalmente em ambientes da diplomacia e, ao que parece, é intransigente no princípio do 'politicamente correcto'. Eu percorri um caminho mais frugal, entre operários e engenheiros, em unidades fabris; por inerência de funções no comércio internacional, corri mundo a promover exportações de vidro em chapa e transformado da Covina, hoje Saint-Gobain Glass, e de produtos de higiene pessoal e de limpeza das empresas Sonadel e Uniclar, do ex-grupo CUF/Quimigal.
Sucedeu que, detidas por IPE e Quimigal, as três sociedades foram privatizadas por alienação a grupos estrangeiros. A Covina à Saint-Gobain e a dupla Sonadel-Uniclar à Colgate. Consequências: a ex-Covina actualmente não passa de um entreposto da Saint-Gobain, a funcionar com menos de três dezenas de trabalhadores; por outro lado, Sonadel e Uniclar desapareceram como sociedades industriais e comerciais, embora as suas marcas continuem a ser comercializadas em Portugal - ao ler um invólucro do sabonete 'Feno de Portugal', da ex-Uniclar, depara-se com a menção 'Fabricado na EU / (Alemanha)'.
Ainda no domínio das consequências a nível da Economia Portuguesa, deverá sublinhar-se que as referidas alienações, como outras, contribuíram para diminuições do PIB, eliminação de centenas de postos de trabalho e de exportações, aumentando importações e remunerações (dividendos) de capitais externos.
O que acabei de descrever é suficientemente elucidativo, julgo, dos resultados de certas operações de IDE - Investimento Directo Estrangeiro; várias das quais, como é notório, se vêm a revelar adversas para o interesse nacional. É natural, portanto, a minha estupefacção perante críticas às declarações de António Costa na AR - debate do Estado da Nação - que, instado a pronunciar-se pelo PCP, acusou a PT/Altice de grave incumprimento na prestação de serviços de telecomunicação na 'Tragédia de Pedrogão'; prestação a que está vinculada pela PPP no âmbito das obrigações do SIRESP.
O tempo correrá e estaremos cá ver o que, na PT e na Media Capital, a Altice vai fazer. Certamente dinheiro, muito dinheiro, com pesados prejuízos para Portugal e portugueses, prevejo.
Muito mais haveria para dizer, mas fico-me por este esclarecimento: não sou militante de qualquer partido, nem apoiante incondicional de António Costa.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Mozart: 'Pequena Serenata Nocturna'


Sexta-feira, noite quente. Ouvir, sentado, a 'Pequena Serenata Nocturna', que, dizem, foi composta para bailar, não cansa. Aliás, Mozart nunca cansa e encanta sempre. Bom fim-de-semana!

Interesses públicos versus interesses privados

Políticos, economistas e sociólogos têm debatido o conceito de interesse público. Seria despropositado, além de impossível, descrever esse histórico e longo confronto de concepções, no âmbito de um 'post'.
Tomo, pois, como referência três ideias principais:
  1. A supremacia do interesse público sobre o privado, não equivalendo, todavia, a uma liberdade irrestrita de arbitrariedades de quem conduz os negócios públicos.
  2. No período pós-2.ª Guerra Mundial, e com especial incidência na Europa, o Estado Social resulta de uma transformação super-estrutural do Estado Liberal, com vista a eliminar a contradição entre igualdade política e desigualdade social; esta última mais óbvia na Saúde, no Ensino, na Justiça e nas relações laborais.
  3. Nos anos 1980, o neoliberalismo irrompe na Europa pelas mãos de Margaret Tatcher, a mulher da 'TINA' (There is no alternative), argumentando não haver alternativa às leis do mercado, ao neoliberalismo, ao capitalismo e à globalização; esta teoria propagou-se então no seio da Europa por acção de outros políticos, incluindo socialistas e social-democratas, a começar pelo trabalhista Tony Blair com a sua proclamada 3.ª via.
António Costa, no debate do estado da Nação, ao criticar o mau desempenho da PT (Altice) na tragédia de Pedrogão, fê-lo por diversos motivos, entre os quais destaco: (a) a ruptura operacional e efectiva da PT, com a agravante de ser parte do núcleo de privados da PPP SIRESP; (b) a transformação, o desmembramento e os despedimentos esperados na PT, estimados em 3.000 e que AC já havia declarado recusar; (c) finalmente a imagem ideológica, que o PM, a governar com o apoio da esquerda parlamentar, está a tentar recuperar para o PS, ainda que condicionado por uma União Europeia de tratados e directivas de pendor neoliberal.
Passos Coelho, por sua vez, comparou Costa com Donald Trump (MSN vídeo). A comparação não passa de desvario do líder do PSD. Sem estratégica política, anda a compor a sua agenda com os acontecimentos de Pedrogão Grande, de Tancos e com reacções eleitoralistas àquilo que o PS diz, faz ou deixa de fazer. Coelho, ao invés do que querem fazer acreditar alguns aliados na comunicação social, nunca foi, nem é um político brilhante, bem preparado, de ideias consistentes e fluídas. 
Resta, em Passos Coelho, a marca ideológica aguda do neoliberalismo. E é neste registo que, para ele, criticar esta ou aquela empresa privada equivale a desrespeitar um 'templo sagrado'. O mercado, inspirado na famigerada teoria de Adam Smith, tudo equilibra e resolve, admitindo-se, apenas, uma regulação ineficiente por parte do Estado. Foi, dentro deste pensamento, que, quando PM, PC afirmou que o BES não era um problema do Estado, mas sim de privados. De seguida, a sua Ministra das Finanças, M. L. Albuquerque, aplicou, de uma penada, 3.900 milhões de euros dos contribuintes na resolução do caso 'BES/Novo Banco'. Contradições e falta de ideias traçam o perfil de Passos Coelho. Está desacreditado, até no seio do próprio PSD.
António Costa, na declaração parlamentar, referiu ainda a CIMPOR, que é um tema interessante. Todavia, fica para outro 'post'.




terça-feira, 11 de julho de 2017

Três secretários de Estado foram à bola

Parece que haverá saída de outros secretários de Estado, disse-o o 'comentador minhoca' no Domingo, na SIC, e outros órgãos da comunicação social ecoam o badalo de manhã à noite, desde então.
Escrito isto, deixo claro que este 'post' se refere exclusivamente aos três secretários de Estado que, a convite da GALP, foram ao Europeu de 2016 - de uma penada esclareço também que deixei, há anos, de ser fã de futebol. 
O que os três políticos fizeram há um ano é éticamente reprovável e o Ministério Público precisou exactamente de um ano - trabalho árduo - para os constituir arguidos. Os homens, na altura da primeira denúncia em 2016, assumiram a responsabilidade e reembolsaram a GALP das viagens, ao mesmo tempo que o governo de AC criava este 'código de conduta' para obstar a actos iguais ou semelhantes. Tudo isto de nada valeu e o MP prosseguiu com o processo.
Neste singular país da política reles, os media, em especial a SIC e o 'Expresso' curto ou comprido, têm vindo a terreiro desancar forte e feito no governo de AC. O momento é favorável à oposição de direita, há as fragilidades de Pedrogão e de Tancos, então puxa-se do cacete para nova sova pelo caso dos secretários de Estado. "Nós não fomos nem vamos à bola com eles - pensam Gomes Ferreira, Martim Silva e mais uns quantos 'jornalistas de facção' que andam por aí - e então vamos aproveitar mais esta para descascar a valer".
A cumplicidade entre políticos e empresas é histórica. Construiu-se, ao longo do tempo da democracia, com casos bem mais escandalosos do que a aceitação do convite da GALP para ir ao 'Europeu 2016'. E a intervenção da comunicação social foi mínima. Vou apenas listar alguns nomes, sociedades e números para despertar memórias:
  • Os ex-ministros Armando Vara (PS), Carlos Tavares, Mira Amaral e Fernando Faria de Oliveira (estes três do PSD) e Celeste Cardona (CDS) constituem uma minoria de 23 ex-ministros e secretários de Estado que ingressaram na administração da CGD;
  • Murteira Nabo (PS) e mais 18 ex-ministros passaram pela PT, antes e depois da privatização - e também foram investidos em cargos de administração na operadora os ex-secretários de Estado Franquelim Alves (PSD) e Norberto Fernandes (PS)
  • No grupo EDP, além do inefável António Mexia, albergaram-se mais 12 ex-governantes, entres estes Luís Braga da Cruz e Daniel Bessa (PS) e Rui Machete e Joaquim Ferreira do Amaral (PSD).
Todo este role de abutres claro poderia estender-se - estou a lembrar-me das deambulações do rubicundo Catroga, de Jorge Coelho na mesma Mota-Engil onde está Paulo Portas e ainda da ida de Joaquim Ferreira do Amaral para a LUSOPONTE. 
Enfim, a lista seria, de facto, muito extensa, mas, que eu saiba, apenas o 'DN' lhe dedicou algum espaço. Outros mantiveram-se em silêncio ou passaram de raspão pelo tema.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Ivanka à mesa do G20

Ivanka Trump na mesa do G20, entre May e Xi Jiping
O episódio de Ivanka Trump se sentar à mesa dos líderes do G20 causou uma onda de diversas críticas, piadas e comentários.
A atitude de Ivanka até acaba por ser natural, em função do tipo de personalidade grosseira, ignorante, e recheada de embustes do pai Donald.
No entanto, é de sublinhar que, se de Trump tudo de mau se espera, já no que diz respeito ao G20, e sem nunca se aguardar grande coisa, o magno grupo agora ficou ainda mais desacreditado. 
Saliento que este G20 em Hamburgo foi óptimo para Trump negociar, na próxima Polónia, a venda de 7 mil milhões de armas ao governo de extrema-direita no poder, mas, acima de tudo, a reunião magna dos 20 países criou a oportunidade de ouro de, pela primeira vez, o Presidente dos EUA se avistar com Putin em reunião de cerca de 2h30m, quando a duração prevista era de meia-hora. Superiormente inteligente, o Presidente da Rússia vai extrair benefícios da superficialidade do grosseiro e básico Trump. Esta hipótese já está a causar apreensões entre sectores de opinião norte-americanos.
Regressando ao incidente 'Ivanka à mesa do G20', e optando pelo lado lúdico do caso, cismo no que seria dito e escrito em certa comunicação social, incluindo parte da portuguesa, se os protagonistas fossem a filha do Presidente do México e o pai; ou da África do Sul, da Argentina ou de outros países do Hemisfério Sul e da Ásia - o Brasil é caso especial, porque a Temer bastaria levar a mulher, que tem idade para ser sua filha.
Mas, no aspecto lúdico do ridículo acontecimento, existem algumas críticas bem humoradas no 'The New York Times'. Destaco duas:
  1. O actor Ike Barinholtz escreveu no 'twitter': "Isto é uma coisa totalmente normal para países normais como a Arábia Saudita ou Westeros."
  2. Ted Lieu, democrata da Califórnia, transmitiu na mesma rede social a seguinte mensagem: "Baseado no exemplo de Ivanka, vou perguntar ao Presidente da Câmara, Ryan [republicano] se o meu filho pode sentar-se no meu lugar na próxima reunião da Comissão de Negócios Estrangeiros do Congresso."
Valha-nos, pois, algum humor neste desastrado percurso dos grandes líderes e, consequentemente, da humanidade.



sábado, 8 de julho de 2017

Manifestações anti G20, a minha obrigação de esclarecer

Manifestação pacífica anti G20 (19+1)
Ontem publiquei um 'post', sob o título 'Cimeira G20, o alvoroço  em Hamburgo'. Do texto, poder-se-á deduzir que sou defensor de todo o tipo de manifestações anti-globalização, contra o capitalismo e a falta de humanismo reinante. Não é caso.
Quem me conhece bem, meus familiares e amigos mais próximos, sabem que sempre estive ao lado dos mais fracos. Sem militar em qualquer partido político, combato à minha maneira contra o neoliberalismo, a obscena desigualdade de riqueza e rendimentos no mundo e ainda contra a pobreza  e o estado de miséria que atingem milhões à volta do planeta, em especial crianças, mulheres e idosos - os 8 mais ricos têm tanto como metade da população mundial ('BBC').
A minha oposição à ordem mundial vigente é expressa de modo transparente, democrático e por meios pacíficos. Identifico-me, portanto, com os manifestantes que se orientam por estes princípios. E, segundo o 'The New York Times', houve uma manifestação ordeira de 76.000 pessoas que expressaram, nas ruas de Hamburgo, a sua oposição às políticas do G20 que, com Trump, se transformou em G19+1. 
A comunicação social portuguesa, em especial as TV's, nem sequer relativizou o citado acto cívico e democrático. Pura e simplesmente, omiti-o dos noticiários. Obcecados por mostrar mortes, feridos e violência, os nossos canais televisivos apenas dão conta de actos de repugnante impetuosidade, cometidos por grupos de radicais anarquistas, que saquearam, destruíram e praticaram outros graves desacatos. Banditismo deste género jamais terá o meu apoio. Pelo contrário, merece-me total reprovação. É minha obrigação dar este esclarecimento.  
  

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Beethoven, 'Für Elise"


Neste meu recanto, quando leio ou escrevo, ouço música de que gosto, naturalmente. Tenho diversos compositores preferidos. Em cada dia e mesmo em cada parcela de tempo, escolho em função do meu estado de espírito, do que se passa comigo e com os meus e do que vai sucedendo no mundo. Hoje, desde a tarde, ouvi melodias de Ludwig van Beethoven. Os seus sons arrebatam-me e, em simultâneo, tranquilizam-me. Aqui deixo um curto trecho de "Für Elise" (piano). Bom fim-de-semana a todos.

Cimeira do G20, o alvoroço em Hamburgo



Não é inédito. Tem anos. Onde há cimeira de G7, G8 ou G20, há milhares e milhares de manifestantes em protesto. A onda começou em Seattle em 1999 e teve o primeiro mártir em Génova em 2001. O jovem italiano Carlo Giuliani, aos 23 anos, foi assassinado com um tiro disparado de um carro da polícia paramilitar italiana. 
A cimeira do G2O, em Hamburgo, está envolvida em ambiente escaldante. Os confrontos entre manifestantes e polícias são intensos. A prestigiada 'Der Spiegel', às 9h31m, anunciava que já teriam sido feridos 111 polícias; por sua vez, as autoridades tinham detido 29 opositores à cimeira.
Nas manifestações anti-G20, em Hamburgo, embora no seguimento de outras como dissemos acima, há algumas novidades. Começou com um desfile de 'zombies', carregado de elevado simbolismo pela solenidade do desfile e encenação da libertação do capitalismo global, fomentador de crescentes e aviltantes desigualdades na distribuição de riqueza e rendimentos no mundo, de desumanismo e de agressões climáticas graves.   
Que eu me lembre, além de inúmeras organizações e manifestantes mobilizados, trata-se do protesto mais intrusivo em relação à localização e circulação dos líderes reunidos na cimeira. A baixa de Hamburgo está, em parte, invadida por manifestantes e, por exemplo, Jean Claude Juncker e Donald Tusk atrasaram-se na chegada à conferência de imprensa programada, por complicações no trânsito.
O que, de facto, é relevante é a mensagem enviada por quem protesta para o seio da cimeira, relativizando a mensagem em sentido inverso. Sim, simboliza aquilo que a maioria dos cidadãos do mundo, e não apenas os que protestam em Hamburgo, pode esperar de uma reunião de figuras tão divergentes, controversas, umas mais anómalas e prepotentes do que outras. Formam um mosaico de países desiguais, como o Brasil de Temer, os EUA de Trump, a Turquia de Ergodan, a Grã-Bretanha de May, a Alemanha de Merkel, a China de Jinping, a Indonésia de Jiki Widodo, a UE do atarantado Juncker e por aí fora. Têm em comum a protecção dos poderosos actores do sistema económico-financeiro. Os líderes que lá estão e outros que lhes seguirão têm de perceber que milhões e milhões de seres humanos vivem na pobreza ou em miséria extrema, que a luta pela preservação do planeta deverá ser determinada e séria (já nos bastam as desgraças disparadas do Ártico ao Antártico). 
A cimeira arrancou. Vamos esperar pelo fim do filme, que é uma verdadeira trágicomédia, com o populismo e as pós-verdades de Trump, a falta de escrúpulos do seu protegido Ergodan, o opressor turco, ou, ainda, a ostentação de riqueza obscena do grande cliente de armamento norte-americano que é a Arábia Saudita - a Polónia também prometeu a Trump comprar 7 mil milhões de armas.
Aguardemos também o que Trump escreverá no 'twitter'. Sim, porque, do Brasil, Temer, mal chegou,  afiançou: "Não há crise económica no Brasil". Puxa vida, Temer, você é um cara p'ra temer mesmo... fora Temer!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Mariana Mortágua estende a mão à direita

Mariana Mortágua é economista de qualidade. Demonstrou-o em várias ocasiões, mas a mais exuberante de todas foi a participação na comissão de inquérito parlamentar ao BES.
É obviamente uma mulher inteligente. Mas, como dizia muitas vezes um amigo meu 'carioca', mesmo os mais sábios e inteligentes têm uma zona de estupidez no cérebro. Poderá não ser o que se passa com ela. Todavia, parece-me que se trata de um caso de mesquinhez do ego, segundo os princípios do pensamento do hinduísmo.
Huston Smith, em 'A Essência das Religiões' e ainda a propósito do hinduísmo, escreveu: "Ao apoiar ao mesmo tempo a nossa vida e a vida dos outros, a comunidade tem uma importância que nenhuma vida individual pode assumir. Vamos então transferir para ela a nossa dedicação, concedendo às suas exigências prioridade sobre as nossas." É justamente neste sentido que Mariana Mortágua deve pensar e orientar as suas intervenções políticas. Mas, fez objectivamente o inverso na Comissão de Orçamento e Finanças, ao exigir a Mário Centeno que, ministério a ministério, o Governo especifique as cativações de 2016 e 2017. A direita exultou de alegria e  entusiasmo com a exigência da bloquista.
Mariana Mortágua sabe que o governo de António Costa não firmou, mas herdou o 'Tratado Orçamental' da UE que impõe limites ao défice e duras regras orçamentais; sabe também que a dívida pública do País é enorme e que a contenção do défice por Centeno já se repercutiu favoravelmente nos custos do serviço de dívida (juros); conhece também que, para equilíbrio das contas públicas, é preferível criar desenvolvimento económico sustentável, mas que este é o caminho mais difícil por escassez de meios para investimento, restando ao governo opções financeiras para a melhoria das contas públicas. 
Mariana sabe tudo isto e muito mais. E politicamente deve estar sempre consciente do que sucedeu na Grécia com o  seu ex ou ainda aliado Syriza. 
O BE apoia no parlamento o governo actual, que está, de resto, a viver um momento muito difícil, fruto de acontecimentos graves e de responsabilidades próprias. Acima de tudo, Mariana Mortágua deveria ter aprendido a lição de, no passado não muito longínquo, BE e PCP terem escancarado as portas do poder à direita neoliberal do PSD e CDS, com as pesadas consequências que se conhecem. O povo, na grande maioria, não quer regressar a tamanho sofrimento dos cortes salariais, de pensões e de outras prestações sociais. 
O BE, sabe-se, mantém um diálogo permanente com o governo. O pedido de Mariana deveria ter sido formulado nesses encontros. 
Jamais PSD e CDS, coligados no governo, deram tal espectáculo. Houve o caso da demissão irrevogável de Paulo Portas, mas, com a mão de Cavaco, não passou de um curto episódio de comédia.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Tancos, imagens da degradação

Estas imagens do TVI, em algumas passagens, ilustram com clareza o estado de degradação dos arruamentos do chamado 'Polígono de Tancos', onde funcionam 5 comandos do exército.
O objectivo primeiro da TVI seria mostrar a chegada e digressão do Presidente Marcelo naquele complexo do Exército. Todavia, foram captadas imagens de extensas áreas de mato, susceptíveis de aumentar a probabilidade de incêndios, em época de altas temperaturas e junto a instalações de armazenamento de armas de alto risco de explosão.
Ora isto sucede por que razão? É uma pergunta natural de cidadão preocupado. A questão ainda se torna mais absurda, porque no citado 'polígono', está instalada a unidade de Engenharia 1, que deverá dispor de recursos humanos e materiais para limpar os matos que, devido à intensidade e altura em certos locais, mal deixam ver os edifícios que lhes estão subjacentes. 
Recorde-se que na tragédia de Pedrogão Grande, e com o natural destaque da comunicação social, compareceram destacamentos militares, justamente da Arma de Engenharia, com 'máquinas de rasto' para desmatar terrenos e conterem, assim, a propagação do fogo.
Tancos demonstra o grau de incúria e de falta de acções de manutenção dos quartéis e outras instalações do exército. As obras de conservação de edifícios, vedações e de espaços de circulação de pessoas e equipamentos, se, houvesse profissionalismo e vontade, poderiam ser asseguradas por militares de Engenharia e até de outras especialidades. Há em Tancos especialistas de telecomunicações. 
Este cenário de Tancos, que até de longe pode ser observado, não é culpa exclusiva do Ministro da Defesa. É tanta dele, como dos anteriores, como o Dr. Portas que, se calhar, nunca visitou Tancos - a poeirada é muita e suja qualquer tipo de vestuário, mesmo os fatos de Rosa & Teixeira.
A culpa, sim a culpa, germinou e ampliou-se desde há muito tempo, propagando-se até hoje e centra-se, no essencial, nas Chefias do Exército, mais do que em qualquer membro deste ou daquele governo. É preciso que a instituição Exército encontre e desenvolva, com celeridade, a estratégia de recuperação da capacidade de liderança, organização, funcionamento e disciplina nos quartéis, como locais críticos para a segurança dos cidadãos em democracia. Para que isto suceda, o Presidente não se pode confinar à emoção dos afectos.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Afinal, a Força Aérea também voa rasteiro

Ontem, publiquei este 'post'. A propósito do 'caso dos comandos' e do gravíssimo furto de armamento em Tancos, critiquei exclusivamente o Exército. 
Tive, pois, o cuidado de preservar a Força Aérea e a Marinha dessas críticas. Pensei ser injusto e despropositado censurar os três ramos das Forças Armadas, de que o PR é 'Comandante Supremo'. Ingenuidade minha, hoje desmontada pela notícia de ´ultima hora' de que a PJ deteve 12 militares da Força Aérea e quatro empresários, por suspeitas de corrupção ('Público'). Estas detenções, ao que percebo, relacionam-se com a prática de sobrefacturação, em que o Estado, refere-se, sofreu prejuízos da ordem de 10 milhões de euros. 
Arquivado pelo MP o processo de aquisição dos submarinos à Ferrostal, empresa que teve gente condenada na Alemanha por corrupção nesse negocio, resta incólume a Marinha. Só não se sabe se é com carácter definitivo. Sim, poderá vir a suceder que, em futuro próximo ou longínquo, um arrastão da PJ venha a capturar, nas redes, oficiais ou sargentos marinheiros. Sabe-se lá! 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

O Exército Português, do zelo ao desmazelo

À data actual, o 'site' do Exército Português incita a candidatura à carreira militar. O apelo inicia-se com a frase:
"Segurança e defesa dos cidadãos e dos interesses dos portugueses" 
A esta expressão de alento seguem-se outras de idêntico sentido.
O curioso é que o incitamento, pela natureza e conteúdo das mensagens publicadas, se já era controverso à luz do caso dos comandos em 2016 (dois instruendos mortos, vários afectados com problemas de saúde e 18 arguidos constituídos em Abril passado), mais polémico se tornou com o recente furto de armamento em dois 'paiolins' de Tancos. Do zelo passou-se para o desmazelo. 
O que está em causa, e não havendo por ora eventos idênticos na Marinha e Força Aérea, é o deficiente desempenho de altos e intermédios comandos, bem como o funcionamento de toda a estrutura do Exército. 
Os portugueses devem a libertação democrática às Forças Armadas, em especial ao Exército.  Sucede, porém, que, anos após o 25 de Abril, se deu uma deterioração na vida dos quartéis. Os oficiais, sargentos, cabos e praças de hoje beneficiam de um ambiente de laxismo e desregrado, outrora nunca visto. O caso de Tancos, pela falta de rondas e do sistema de videovigilância, a localização física dos 'paolins' que obrigou os autores do furto ao uso de meios logísticos consideráveis (capacidade de manipular e transportar imensa e pesada carga) e outros factores, não se excluindo as mais do que presumíveis conivências internas, constituem o paradigma da desorganização vigente nos quartéis. 
Tancos, Santa Margarida e outras unidades, excepto se houver cursos de comandos, são locais de lazer. Come-se bem e gratuitamente, não se faz grande coisa e folgas não faltam. "Se houver uma missão no Afeganistão ou no Iraque, vale a pena arriscar porque volto de lá com dinheirinho para comprar nova moradia na terra e ainda fico com uns euros..." - isto sou eu a imaginar um sargento a falar com amigos. A culpa é dele?