segunda-feira, 3 de julho de 2017

O Exército Português, do zelo ao desmazelo

À data actual, o 'site' do Exército Português incita a candidatura à carreira militar. O apelo inicia-se com a frase:
"Segurança e defesa dos cidadãos e dos interesses dos portugueses" 
A esta expressão de alento seguem-se outras de idêntico sentido.
O curioso é que o incitamento, pela natureza e conteúdo das mensagens publicadas, se já era controverso à luz do caso dos comandos em 2016 (dois instruendos mortos, vários afectados com problemas de saúde e 18 arguidos constituídos em Abril passado), mais polémico se tornou com o recente furto de armamento em dois 'paiolins' de Tancos. Do zelo passou-se para o desmazelo. 
O que está em causa, e não havendo por ora eventos idênticos na Marinha e Força Aérea, é o deficiente desempenho de altos e intermédios comandos, bem como o funcionamento de toda a estrutura do Exército. 
Os portugueses devem a libertação democrática às Forças Armadas, em especial ao Exército.  Sucede, porém, que, anos após o 25 de Abril, se deu uma deterioração na vida dos quartéis. Os oficiais, sargentos, cabos e praças de hoje beneficiam de um ambiente de laxismo e desregrado, outrora nunca visto. O caso de Tancos, pela falta de rondas e do sistema de videovigilância, a localização física dos 'paolins' que obrigou os autores do furto ao uso de meios logísticos consideráveis (capacidade de manipular e transportar imensa e pesada carga) e outros factores, não se excluindo as mais do que presumíveis conivências internas, constituem o paradigma da desorganização vigente nos quartéis. 
Tancos, Santa Margarida e outras unidades, excepto se houver cursos de comandos, são locais de lazer. Come-se bem e gratuitamente, não se faz grande coisa e folgas não faltam. "Se houver uma missão no Afeganistão ou no Iraque, vale a pena arriscar porque volto de lá com dinheirinho para comprar nova moradia na terra e ainda fico com uns euros..." - isto sou eu a imaginar um sargento a falar com amigos. A culpa é dele?

O roubo de Tancos, pela dimensão e tipo de armamento envolvido, tornou-se, naturalmente, motivo de apreensão e até de pânico, a nível interno e externo. Parece-me óbvio que o General Rovisco  Duarte, Chefe do Estado do Maior do Exército, deveria ter posto o lugar à disposição. 
investigação da imensa gravidade deste caso, a meu ver, deveria realizar-se sob a alta direcção do Presidente da República, que é o Comandante Supremo das Forças Armadas, e participação do PM, António Costa, e do Ministro da Defesa, Azeredo Lopes, professor universitário e ex-director da Faculdade de Direito da Católica do Porto, ex-presidente da ERC e ainda ex-chefe de gabinete de Rui Moreira. Esperamos para saber se também não será ex-Ministro da Defesa. A comissão de investigação, beneficiando de prazo curto, deveria actuar sob orientação de chefes do Exército seleccionados pelo PR e em articulação com as PJ's, militar e civil, e a PGR.