quinta-feira, 8 de junho de 2017

0 Daesh em Teerão

Trump e o emir do Qatar em 21-Maio-2017
O Daesh cometeu dois atentados em Teerão. Registaram-se, pelo menos, 12 mortes e 48 feridos. [Público].
O Irão, xiita e republicano, jamais havia sido alvo de actos de terrorismo do ISIS, ortodoxo movimento sunita, em linha, aliás, com o que sucede no autoritário e corrupto regime monárquico da Arábia Saudita.
Independentemente da mágoa e respeito devido às vítimas e familiares, o execrável acto deve ser objecto de reflexão na perspectiva do tempo e espaço em que ocorreu, bem como de algumas transformações e posições políticas registadas entretanto:

(a) o atentado ocorreu dezassete dias depois do começo da visita do tresloucado Donald Trump ao Médio Oriente; visita esta iniciada justamente na Arábia Saudita, país a que o presidente norte-americano vendeu armamento militar, no valor de 98 mil milhões de euros;
(b) dois a três dias antes do atentado, a comunicação social divulgou que 7 Estados islâmicos sunitas (Arábia Saudita, Barhein, Egipto, Emiratos Árabes Unidos, Líbia e Maldivas) decidiram cortar relações diplomáticas e económicas, incluindo ligações aéreas, com o vizinho Qatar - alegaram que o emir do pequeno país, Tamim bin Hamad al-Thani, financia a Irmandade Islâmica (Egipto) e o Estado Islâmico a que o Daesh está vinculado, acusando, ainda, o citado emir de cordialidade nas relações com o grande rival Irão, onde domina a corrente xiita; 
(d) o Golfo Pérsico é uma região geoestratégica crucial,  onde se concentram 56% das reservas mundiais de petróleo e gás natural e os interesses dos negócios são muito significativos, em especial para um empresário, do estilo de Trump, defensor da ideia de que os EUA, ou qualquer outro país, podem ser governados segundo o modelo de gestão empresarial - venda-se armas em abundância a sunitas, porque o objectivo é ter clientes e o dinheiro não é irreconciliável com o terrorismo;
(e) o Qatar, embora com um território de superfície reduzida, é,  em simultâneo, o maior produtor mundial de gás natural e o país onde, curiosamente, está instalada a mais importante base militar e aérea dos EUA no Golfo Pérsico. Dali, partem aviões para bombardear zonas ocupadas pelo Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Todas as condições descritas, face ao atentado do Daesh em Teerão, levam à conclusão que, além do mentiroso da 'pós-verdade' e dos 'factos alternativos', Trump é, de facto, um tremendo irresponsável e um perigoso 'líder' de uma potência, EUA, ameaçando a paz no mundo. 
O terrorismo, na visão perversa de Donald Trump, tem a inspiração dos diabólicos xiitas, à frente dos quais está o Irão. Combater o acordo contra a proliferação de armas nucleares subscrito por Obama e o Irão é, para ele, prioritário, sobrepondo, assim, os interesses da venda de armas  e as relações com o ignóbil reino saudita à paz no mundo. O Daesh desmentiu-o categoricamente.
A reivindicação por 'hackers' russos de que foram eles os criadores, no ciberespaço, de falsas declarações do emir Qatar junta-se às erráticas posições de Trump. Todavia, é de notar também que, no espaço cibernáutico, é habitual se intersectarem e conjugarem actividades de 'hackers' do país de Putin com interesses políticos de Donald. Tudo começou, lembre-se, no combate eleitoral de Trump com Hillary Clinton, e que ainda se encontra sob investigação do FBI. O envolvimento do genro, Jared Kushner e de outros membros e ex-membros da Casa Branca, também consta do processo de investigação.